quarta-feira, 28 de dezembro de 2011


quando eu for reis 05








um pouco de mim 

  Morava no Andaraí, Paula Brito 641, apartamento 401, sem "playground", mas com uma pequena área livre, sem nome. Sempre soube que não era play. Isso eu sabia. play é lugar de médio a grande, entre os apartamentos e a garagem ou térreo, Play que quando imenso eu supunha chamar-se "playground". Algo como grande play. Minha noção de inglês não me permitia ir além, não na época da área de lazer do 641. Tampouco agora.
  Em conversa se me perguntassem sobre meu play, desconversava, ou descrevia, não como um "playground", para que não desconfiassem, mas um play, médio.
  O fato é que me fez feliz meu play, ou a falta dele. Cresci enquanto a rua diminuía. em boladas nos muros e pipas nos fios com chuteiras penduradas. 
  Minha área de lazer foi grande o suficiente pra eu cair muitas vezes de bicicleta e me ver banguelo marcar gols nos adversários, as vezes invisíveis. Rolando em suas ladeiras que se agigantavam feito montanhas sem passar de lombadas, me deixando ferimentos e hematomas que não passavam de arranhões. 
Sempre soube que lá no 641, não havia play, havia área de lazer, e continua sendo.

.R






segunda-feira, 26 de dezembro de 2011









me consumo sempre em coração...




Há lugar qualquer que seja meu
mesmo que haja lá não serei eu
pois qualquer lugar que seja meu
perde o motivo se lá não for o seu.


.R


Percebe o calor que me invade
isso vem alma à dentro fogo à fora.
É constante, não instante.
Quero você por um sempre
que quase me infinito
eu canto seu nome ao meu corpo,
e assim ele dança você.

.R
Ventei
.r

domingo, 25 de dezembro de 2011

para ratos azuis que tocam blues




Que de queimar
risco a vida toda
a brindar na segunda
terça a sexta
beber e comer
ser...
na Terra caí
pra cá desci
vou sair, latir, sumir
voar aos ventos ao mar
nadar e sem fim nadar
enfim morrer em alto mar
vou matar-me  a vontade
ensopar o sangue com sal
no mais fundo azul
nu, sem culpa, nu
entulhar minha pilha de lixo
queimar cada fresta de memória
esquecer até mesmo esquecer
enquanto fogem, nadarei
sem boias, sem ar, sem medo
.R





Vou à rua agora 
como quem chora
como quem chove
esperando o tufão
ventar o coração
sentarei o mais só possível
lá ficarei no invisível
vou antes que me vejam ir
largo a tristeza e torno a partir...

.R

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011




quero suportar o simples em mim
que me falte o luxo
principalmente o glamour azulejado
Gosto dos pés na grama em lama
quero antes das lanternas, os vagalumes
e as estralas a me arder os olhos


quero ir da lua ao sol
do sol ao mar 
do mar ao céu
e nunca voltar


.R


ao doutor



acho que troquei o lugar do coração
ando pensando demais pra amar
e amando demais pra pensar.
.R




quero escrever pouquinho
assim como se dorme junto 
apertandoasletras
assim como não se dá nem a ler
tirar os pontos e vírgulas
como despido dos formalismos
escrever sem rascunho sem editar
sussurrando as palavras 
até escapar o sono e sonhar

.r



el payaso 01






deitei-me enquanto ia 
eu cheguei a assobiar
pirraçando como e quando bem-te-vi
foi-se como colibri
beijar outro mel
sonhando me esquecer.


.R



presentes









por aí...


- Senão quer ficar, porquê veio?
- Já tinha a passagem comprada.
.R


Oque falta em ti para que sejas minha
é nada além de um sim
e que por mim respires suspires e morra.
.R



rápido e rasteiro...

Meu coração nunca quis aprender
é burro de nascença 
sou burro de nascença no coração
Ele não entende não
vai escrevendo só
as vezes dá poesia
as vezes dá poesia abstrata
as vezes dá merda
.R

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011



quando eu for reis... 03 (presente de natal)




em conversas

- Hei! Poeta, senão sabe porque escreve, porquê insiste?
- Alfabetização.
.R
receita do dia

Antes de falar sobre amor
tento aprender a falar.
.R


na verdade

a sensação é da vida ponta cabeça
contando troco miúdo de tanta moeda
esperando que tal sentimento desapareça
.R









enluarado...

Em plena manhã nascia o Sol
a tarde se preparava para morrer,
quando então, surgiu a Lua, linda 
O Sol, mesmo ele, não pode superar, morreu...
Voltou vidas e vidas, mas nunca alcançara a Lua.
Pôs-se, o Sol, a brilhar para ela... 
.R









Já viu gato caseiro? 
Não vale falar dos castrados.
.R






tem dessas noites

certa vez, como conta um conto chines,...

Rangera a chuva na porta
em continuidade ouviu-se a fechadura velha 
em ferrugem só estalou da cadeira a mulher,
já de pé num frio de tanto suar, percebeu
Era um vulto suspeitoso demais parecido
que pôs no brilho da lua, o reflexo
Abrindo ao abraço a menina dos olhos dela.
O dele saltou vergonhoso quase escondido.
Em pouco estavam entre os lábios já úmidos
sem ainda  ter-se ouvido palavra naquela noite
saltou um sorriso saudoso, agora sim.
Em pleno apreço sem parte na culpa.
Nela se via  todo entendimento do bicho homem
que vagando sem sono foi ter com a morte distante
frente a frente pra saber que futuro se passa junto
distante mesmo só o fato do adeus.
Naquela ardência  de amor errante que vai 
mas quando volta parece chama do meio da Terra.
Vendo nisso o encontro noturno
o silêncio estourou em voz quebrada
por peso de medo, arrependimento.
Mas antes das ditas as pontas dos dedos delas disseram.
E pronto assim era tão melhor, menos palavras inventadas
Rangeram a porta juntos, dessa vez vazia em passagens
Trancando a noite daqueles dois que amavam
dos colchões no chão ao teto com rosas
dependurando sorrisos de tantas histórias
.R

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011













Me venta o peito 
tem gelado essa brisa sua
esses ares de tão longe
num vem e vai de tufões
eu sonho e maresia
num entra e sai
de bate porta e abre janela
vendaval de sacudir varal
de bagunçar cabelo

despenteando meu normal
durmo louco de brisa
e serenando o dia acordo são
dois terços do tempo suspiro você
noutro instante sem ar
inspirando penso se tu me respiras
.R
Teu pão com manteiga ao forno
e quer mais o café requente 
na pia de molhar umbigo
em verdes garfos curtindo lodo
um jarro de vinho avinagrado
pra adoçar o rosbife de ontem
com a pitada de vazio da geladeira.
                                   .R




Tia Jura

Sentava a senhora Dona Jura na ponta da cadeira de balanço, sacudindo as mãos, deixando voar as migalhas de pão aos pássaros.
Sentava a senhora Jura na ponta da cadeira de balanço, sacudindo nas mãos as histórias, que deixava voar em migalhas às crianças da rua.
Sentavam as crianças com os pães em migalhas, envoltas em pássaros e histórias, que balançavam na cadeira da Dona Jura.
Juravam serem fantasmas as migalhas que voavam com cadeiras que balançavam e os pássaros que avoavam, as crianças e a Senhora.
Voavam as crianças como pássaros que buscavam por migalhas de cadeiras que balançavam nas histórias da Dona Jura.
.R



Quando criança tudo parece infinito,
infinito quintal de histórias infinitas,
infinitos pais e mães e irmãos
os quartos são também infinitos
Até mesmo a morte parece infinita
de fantasmas infinitos e terrores
de infinitas histórias e heróis infinitos (ou invencíveis?)
A beleza do mundo infinito
principalmente os castigos são infinitos
a tristeza, os amores, as mimices,
os sabores, todos querem ser de infinito
Na infância tudo se torna infinito
e assim será no eterno infinitar-se
o único problema é a infância finita.
.R


QUANDO EU FOR REIS 02



QUANDO EU FOR REIS 01


                   


Há uma gota de chuva que quica lá fora,
num pingado plec plec, que infinita minhas paredes e deixa tudo quieto. 
É o mundo todo meu quarto, 
chorando em única lágrima numa enxurrada desmedida de saudade.
Eu surdo à tudo tenho um rio em minha sala. 
.R

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

PRA COMEÇO DE CONVERSA



resolvi começar


Tenho caminhado por ruas conhecidas demais, já sei cada passo dado e não me caio mais em buracos,  sorrio quando me surpreendo num tropeço, porém os raros desvios me rotinaram a vida, ando procurando as curvas, as esquinas...
.R

em conversas


- Você está se vendendo poeta.
- Com certeza não há valor que me compre. Mas topo consignação. 
.R



Nunca datei minhas palavras até então
pensava serem eternas demais...
                                  .R