Velho Menino
segunda-feira, 16 de julho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
As melhores manchas no papel são café e lágrimas.
até as pipas são mais vivas
em comum quando arrebentam as linhas.
as palavras são os cabelos da imaginação.
certas brigas explodem planetas.
outras universos inteiros dentro de mim
Lá em casa é tudo planta e sonho
até os cabelos samambaias do meu pai
sonham ser o riacho dos olhos da minha mãe.
.R
domingo, 3 de junho de 2012
repara
As chuvas todas são pessoas chorando,
mesmo quando chove assim rindo
é um choro de riso.
.r
As chuvas todas são pessoas chorando,
mesmo quando chove assim rindo
é um choro de riso.
.r
tuas calcinhas espalhadas
me espalham alegria.
.r
repara
cada vez eu vou mais longe pra comprar pão.
.R
minha caneta ruim continua borrando meus desenhos
é um trem comprido o que sonho
e nele vou embora.
.R
aí estão suas coisas
embaixo de tudo isso eu morei.
.r
a merda dos micróbios da terra
somos todos nós.
.r
domingo, 15 de abril de 2012
na velha rua
- Milagre! Gritou a mulher da esquina.
Era a menina que dobrava a rua do antigo rapaz. E nesse instante seus passos pareciam marcar um compasso calmo e lento. Não trazia malas, nem bolsa qualquer, apenas a roupa do corpo.
Quando tocou nos primeiros paralelepípedos daquela rua o sol parecia ranger as madeiras das portas das casas e já secavam as poucas poças. Logo acabaram as pedras, começou a terra batida em caminho reto a casa do rapaz. Um misto de seca e lama transpassava seus pés. Aumentou o ritmo deixando escapar mais do seu perfume enquanto seu corpo contra a luz do sol denunciava sua juventude elegante e a retidão e o destino certo daqueles passos. Ao pisar na grama da calçada do rapaz, correu com os olhos as mudanças do lugar ainda familiar.
Seu rosto tornou-se mais brilhoso pelo sol e um misto de suor e lágrimas confundiam ainda mais sua face em sorrir e chorar como música. Alcançou a porta destrancada, quase entreaberta e sentiu o mesmo cheiro que lhe trazia junto a memória. Ameaçou abrir e preferiu bater.
Escutou o ranger dos passos de alguém estalando a madeira, o som peculiar de quem espreguiça o corpo em um princípio de tarde de domingo, após anos por esperar que o sol te traga na porta um passado sorriso...
Assim ajeitando o corpo dentro da camisa e os pés na sandália abriu junto a porta um sorriso que amassou as bochechas. Poderia dizer que durou minutos, os poucos segundos que brilharam os olhos juntos sem se abraçarem, mas o tempo é impreciso e certo é que no longo abraço molhado junto ao sol daquela varanda demoraram até o anoitecer. Sumiram porta a dentro e até hoje a mulher que pendurava as roupas no varal da esquina jura ser milagre.
.R
segunda-feira, 9 de abril de 2012
negociando 01
Um curto brinde
meu último poema
por mim
um brinde ao fim
a suspensão
e o desfecho
ao meu fechar de olhos
um brinde curto
as mentiras que contei,
as verdades espalhadas
e aos casais que separei
à mim
que no fim
sobrei-me só
por fim um brinde
à tudo que senti
ouvi, pisei, risquei, comi,
das putas da vida
as minhas heroínas
envelhecidas
as taças quebradas
brindo a vida
esquinada.
Saúde ao bom fim.
.R
Assinar:
Comentários (Atom)
